Quarenta

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Dava tudo para que os quarenta fossem tranquilos e felizes, vividos em família. Trocava uma joia preciosa por um abraço. Ou por um sorriso, um simples sorriso. Quantas vezes sorri por dia? Já pensou nisso? Eu sorrio muitas vezes. Ou melhor, faço muitas vezes aquele movimento de arquear os cantos da boca, basta uma ordem ao cérebro e o sorriso aparece de forma automática. Nada verdadeiro, nada sincero. Onde está a surpresa do sorriso ou a sensação de conforto ou de liberdade. Isso! Livre para sorrir e viver. Como será? Serei capaz de experimentar uma vida diferente, de voar sem limites, de fazer as minhas próprias escolhas? Pensei muito e tomei uma decisão.

Sinto falta de carinho, de algo familiar. Tenho saudades da minha mãe e do meu irmão. O tempo passa rápido, evento atrás de evento, vazio atrás de vazio. Sinto falta do passado.

Vejo-me ao espelho e ainda não sei quem é esta mulher, o que esconde e o que guarda, mas a viagem começa agora.

 

M.